O que a paternidade me ensinou a enxergar
Minha forma de ver as mulheres mudou em etapas. O que a convivência — e sobretudo a paternidade — me ensinaram a enxergar.
Minha forma de ver as mulheres mudou em etapas, ao longo da vida — e perceber melhor foi, para mim, um aprendizado tão concreto quanto qualquer outro.
Criança, mulher era minha mãe. Mais novo, as meninas eram só "as que não brincavam do que eu brincava". Na adolescência, passei a enxergá-las de outro modo. Aos 16 encontrei na Shana uma companheira de vida. Depois vi a mulher como mãe, sustentando a família por dentro, num trabalho que quase nunca aparece. E então nasceu minha filha, depois dos meninos — e aí minha percepção deu o maior salto.
Ver uma menina crescer em casa, ao lado dos irmãos, escancara duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é o tamanho do potencial dela — não menor que o dos meninos, só às vezes expresso de outro jeito. A segunda é que o mundo ainda não oferece a ela o mesmo espaço que oferece a eles — e que parte do meu papel como pai é não naturalizar isso.
Mudei de ideia, inclusive, sobre o que quero dizer quando falo em homens e mulheres se "completarem". Completar não é dividir em caixas — você cuida disto, eu cuido daquilo. É somar potenciais sem que ninguém precise encolher o seu. O que desejo para a minha filha é exatamente o que desejo para os meus filhos: espaço inteiro para realizar o que é capaz de ser.
No fundo, é o meu tema de sempre: a gente só passa a respeitar de verdade aquilo que aprende a perceber direito. Com as mulheres, demorei — mas a convivência, e sobretudo a paternidade, me ensinaram a olhar melhor.

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