A resistência custa mais do que a mudança
Ao integrar empresas, descobri que o que dói não é a mudança — é a resistência a ela. Sobre separar princípio de hábito.
Toda vez que integramos uma empresa nova ao grupo, a parte difícil não é técnica. Sistemas a gente migra, redes a gente conecta, processos a gente redesenha. A parte difícil é gente — a minha inclusive — querendo que as coisas continuem como eram.
Acontece em todo nível. Uma equipe que tinha um jeito de vender e agora precisa de outro. Um gestor que construiu um processo com orgulho e vê esse processo virar legado em seis meses. Eu mesmo, defendendo por tempo demais uma decisão que os fatos já tinham desmentido.
Demorei a entender uma coisa simples: na maior parte das vezes, não é a mudança que dói — é a resistência a ela. A mudança é só o ambiente. O mercado mexe, a tecnologia troca, o cliente passa a querer outra coisa. Isso não me pede opinião. O que está sob meu controle é o tempo que levo para parar de brigar com o que já mudou.
No dia a dia, virou uma pergunta prática que faço a mim e aos times: o que estamos tentando manter de pé só porque sempre foi assim? Quase sempre há resposta — um relatório que ninguém lê, uma etapa que existe por inércia, uma premissa que valia há três anos e não vale mais.
Adaptar-se, nesse sentido, não é abrir mão de convicção. É separar o que é princípio (e não muda) do que é hábito (e devia mudar). Quem confunde os dois trava: defende o hábito como se fosse princípio e gasta energia segurando o que o tempo já levou.
Não romantizo a mudança pela mudança — trocar por trocar custa tanto quanto travar. O ponto é outro: olhar para o que já mudou no ambiente e ajustar antes que o ajuste seja imposto. Isso vale para uma operação de 1,35 milhão de assinantes e vale para uma decisão pequena de terça à tarde.
A pergunta continua a mesma: o que você está segurando hoje que já deixou de existir?
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