Magnum Foletto
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Bom em decidir, ruim em estar

A mesma força que me construiu é a que mais atrapalha quando chego em casa. Sou bom em decidir e ruim em apenas estar com meus filhos, e quando racionalizo a conversa acabo afastando justamente quem eu queria aproximar.

Comecei a decidir minha vida cedo. Cedo demais. Aprendi rápido a pensar antes de sentir e a resolver antes de conversar. Isso me construiu. Me tirou de onde eu não queria ficar e me trouxe até aqui.

A mesma força que me construiu é a que mais atrapalha quando eu chego em casa.

Meus filhos estão crescendo, e eu percebo que sou bom em decidir e ruim em apenas estar. Quero ser pai e quero ser companhia, e quase nunca acerto as duas coisas no mesmo dia.

Quando tento ensinar responsabilidade, soa como cobrança. Quando tento me aproximar, transformo a conversa num problema a ser resolvido. E filho não quer ser um problema resolvido. Quer ser ouvido.

Reparei numa coisa esses dias. Quanto mais eu racionalizo a conversa, mais eu os afasto. Chego com a solução pronta e eles fecham a porta. O que parecia cuidado vira distância.

Acho que a conexão não vem da conversa certa. Vem do lado a lado, sem objetivo, sem querer que aquilo renda alguma coisa. Para quem aprendeu a resolver tudo rápido, esse é o movimento mais difícil: baixar a aposta em vez de aumentar.

Não vou fingir que aprendi. Ainda erro quase todo dia. Perco a paciência. Digo o que não devia.

Mas tem uma coisa boa nisso. O dia acaba e começa outro. Não dá para apagar o que eu fiz ontem, mas dá para fazer com que ontem seja só um momento no meio de muitos outros melhores.

Meus filhos não precisam de um pai perfeito, nem de um pai divertido. Precisam de um pai que volta.

É isso que eu tento ser. Não o pai que nunca erra, mas o pai que erra e aparece de novo no dia seguinte, disposto a tentar outra vez.

Amanhã de novo.