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Gestão e Produtividade3 min read

Orçamento base zero: o que aprendi implementando, não estudando

OBZ não é exercício de planilha; é de hábito e de poder. O que aprendi implementando no grupo, que nenhum manual disse com clareza.

Quando começamos a implementar orçamento base zero (OBZ) no grupo, eu já conhecia a teoria. Ela é simples: em vez de pegar o orçamento do ano anterior e ajustar na margem, você zera tudo e obriga cada despesa a se justificar de novo, do começo. O difícil não está aí.

O difícil é que OBZ não é um exercício de planilha. É um exercício de hábito e de poder. Quando você diz a um gestor que ele vai justificar cada linha a partir do zero, está dizendo, na prática, que nada está garantido só porque existia. Isso desconforta — e é exatamente o ponto.

Algumas coisas que aprendi na prática, e que nenhum manual me disse com essa clareza:

  • Sem dono, não há corte. Dividir a operação em pacotes de decisão só funciona se cada pacote tiver um responsável de nome e sobrenome. Pacote órfão não se justifica nem se corta — só sobrevive.
  • A pergunta certa não é "quanto custa", é "o que acontece se não existir". Custo todo mundo aprende a defender. O teste real é o impacto da ausência. Quando a resposta é "nada de relevante", você achou gordura.
  • O dado tem que vir de uma fonte só. Puxamos o histórico do ERP (no nosso caso, SAP S/4HANA), não de planilhas paralelas. No instante em que cada área traz o próprio número, a discussão passa a ser sobre os números, e não sobre as escolhas.
  • OBZ é anual, mas a mentalidade é contínua. O ganho não está no documento aprovado em dezembro. Está em parar de tratar despesa recorrente como intocável o ano inteiro.

O melhor efeito colateral do OBZ não é financeiro, é cultural: ele força a empresa a saber por que faz o que faz. Numa companhia que cresce por aquisição e integra operações distintas, isso vale ouro — cada empresa que entra chega com as próprias "verdades" sobre o que é essencial, e o OBZ é uma forma honesta de testá-las.

Não é indolor e não é rápido. Mas, na primeira vez que um gestor te procura para cortar o próprio custo — porque entendeu que aquilo não se sustenta —, você percebe que o método pegou.

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