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Fé e Constância
O lema antigo da minha família — e por que essas duas palavras ainda cobram tanto de mim hoje.
A família Foletto tem origem italiana, na região de Vicenza, e carrega um lema antigo, de séculos atrás: Fé e Constância. Não me prendo a brasões por status. O que me interessa nessas duas palavras é o quanto elas continuam exigentes hoje.
Fé, do jeito que leio, é menos sobre religião e mais sobre acreditar em algo antes de ter prova — apostar numa empresa, numa pessoa, num caminho, quando os números ainda não confirmam. Sem alguma fé, ninguém começa nada difícil.
Constância é a parte mais dura. É continuar quando a empolgação do início passou. É voltar ao mesmo trabalho no dia em que ele não rende, manter o rumo quando seria mais cômodo desistir. Quase tudo o que respeito — em negócios e em pessoas — foi construído por constância, não por talento súbito.
O brasão da família conversa com isso: o leão (força e proteção), a roda do moinho (disciplina de quem enfrenta a correnteza e segue), as chaves (o saber que abre portas). Gosto especialmente da roda do moinho — é a imagem mais honesta do trabalho: girar todo dia, contra a corrente, e justamente por isso produzir.
Não sei o quanto consigo viver à altura de Fé e Constância. Mas gosto de ter herdado um lema que cobra — e de poder passá-lo aos meus filhos não como peça de decoração, e sim como pergunta: vocês têm fé no quê, e são constantes em quê?

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