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Sua função não te valoriza — seu papel, sim
Fazer bem o trabalho é o combinado, não mérito. A diferença entre função e papel — e por que o papel te torna insubstituível.
Se te contrataram para fazer algo, é porque você convenceu alguém de que sabe fazer. O contrato está dado: pagam, você entrega — e entrega bem, porque era exatamente o que prometeu. Fazer bem o trabalho não é mérito extraordinário. É o combinado.
A pergunta incômoda é outra: alguém ocupou essa função antes de você, e alguém vai ocupá-la depois. Por que a sua passagem mereceria ser lembrada, se você apenas fez o que se esperava? Isso era pressuposto.
A resposta, para mim, está numa distinção que mudou como vejo o trabalho: a diferença entre função e papel.
Função é o que você faz — a descrição do cargo, a tarefa, a entrega. Papel é como você faz e o que traz junto: engajamento, visão do todo, senso de responsabilidade, cuidado com quem está ao redor, o impacto positivo que gera além do escopo. Função é o combinado; papel é a sua marca em cima do combinado.
Ninguém é difícil de substituir pela função — funções se preenchem. As pessoas se tornam difíceis de substituir, e de esquecer, pelo papel que exerceram dentro delas.
Por isso digo, principalmente a quem está começando: faça muito bem o que pediram. E então pergunte o que mais você pode ser naquele lugar, que ninguém pediu — porque é aí, e só aí, que você passa a valer mais do que o cargo que ocupa.
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