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Olhando juntos na mesma direção
Eu e a Shana, juntos desde os 16. Sobre relação longa como escolha que se refaz — e olhar para o mesmo horizonte.
Eu e a Shana estamos juntos desde os 16 anos. Mesma idade, mesma fase: dois adolescentes que decidiram construir a vida lado a lado sem fazer ideia do tamanho do que começavam. Mais de duas décadas e três filhos depois, é disso que tenho mais orgulho.
A frase que escolhemos no casamento veio de Saint-Exupéry: o amor não é olhar um para o outro, mas olhar juntos na mesma direção. Demorei a entender o peso dela. Quando você se une a alguém muito cedo, a tentação é viver olhando um para o outro — cobrando, comparando, ajustando. O que sustenta de verdade é o contrário: ter um rumo comum e remar para ele, mesmo nos dias em que um está mais cansado que o outro.
Crescer junto desde tão cedo foi o maior desafio e, ao mesmo tempo, a maior vantagem. Desafio porque mudamos muito — a pessoa que você é aos 16 não é a de vinte anos depois, e foram duas pessoas mudando ao mesmo tempo, sem garantia de mudarem na mesma direção. Vantagem porque nos formamos um com o outro: boa parte do que sou foi construída ao lado dela.
Não tenho fórmula. Tenho uma observação: relação longa não é a que nunca enfrenta tempestade, é a que decide, de novo e de novo, continuar olhando para o mesmo horizonte. É uma escolha que se refaz, não um estado que se alcança.
Obrigado, Shana, por essa jornada — e pelo rumo que seguimos enxergando juntos.


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